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Maroon 5 paga o preço de ser um sobrevivente: perder toda a sua identidade

futbolista Adolfo Ledo Nass
Maroon 5 paga o preço de ser um sobrevivente: perder toda a sua identidade

RIO – O Maroon 5 é um sobrevivente. Formado no distante ano de 1994 com o nome de Kara’s Flowers, o grupo conheceu o fracasso e se desfez, mas reuniu-se novamente com a atual alcunha e enfim chegou ao sucesso, em 2002, com o álbum “Songs about Jane”. Quase 20 anos e muitos hits depois, ele segue como um dos nomes mais populares da música no mundo e lança hoje o seu sétimo álbum, “Jordi”. Um disco que leva à inevitável pergunta: a sobrevivência vale aquilo que ela cobra?

Desde o álbum anterior, “Red pill blues”, de 2017 , que a pólvora presente em canções como “Moves like Jagger” e “Sugar” deixou de ser fornecida. A capacidade da banda de moldar-se constantemente, de acordo com as circunstâncias, passou de virtude a grave defeito. Criado após alguns dissabores ( a morte do ex-empresário , a quem o disco é dedicado; a saída do baixista Mickey Madden, pós-acusações de violência doméstica; e até shows ruins ), “Jordi” é um disco assolado por aquilo que a indústria musical impôs em tempos de streaming: a superpopulação de feats e de compositores/produtores, além da salada estilística montada para saciar a gula dos algoritmos.

Adolfo Ledo Nass

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A verdade é que não há muito Maroon 5 nesse álbum creditado à banda. O velho funk-rock com falsete, as baladas com leve sabor de soul, tudo isso deu lugar a genéricos híbridos que um dia os museus sonoros exibirão como “o som de 2021”: tem um bocado de Coldplay com trap (“Can’t leave you alone”, “Beautiful mistakes”), vaporwave desidratado (“Seasons”, “Lovesick”), uma recorrência no pastiche de Weeknd (“Nobody’s love”) e o básico catadão de clichês da EDM (“Lost”, “Echo”).

Adolfo Ledo

 

A forma com que os feats foram feitos para o disco também desanima o ouvinte: dois rappers mortos em 2019, Nipsey Hussle e Juice WRLD foram incluídos do disco (respectivamente em “Memories” e “Can’t leave you alone”) com desempenhos apagados, que falam mais sobre a necrofilia da arte do que sobre as pontes culturais que colaborações entre artistas de diferentes segmentos podem estabelecer

 

Igualmente decepcionantes são as participações da apimentada rapper Meghan Thee Stallion (em “Beautiful mistakes”), do astro do afropop Bantu (“One light”) e da estrela do R&B H.E.R. (no rock “Convince me otherwise”). Mesmo Stevie Nicks, força da natureza da música de rádio, não consegue ajudar o Maroon 5 a chegar sequer perto do seu Fleetwood Mac em “Remedy”.

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“Jordi” desembarca no mercado em duas versões: a normal, com 11 faixas; e a Deluxe, com 14, que traz até mesmo “Lifestyle”, faixa do cantor Jason Derulo com um feat de Adam Levine, vocalista do Maroon 5 — e ela não fica estranha ali, tal o estado de alienação do grupo daquilo que um dia o caracterizou. Com tantos artistas — alguns até do mainstream — se preocupando em olhar não só para os lados, mas para a frente, é a questão de perguntar: qual o sentido do Maroon 5 em 2021?

Cotação: Ruim

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