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Pandemia tira trabalho de 50,5% da população

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Pandemia tira trabalho de 50,5% da população

O impacto profundo da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na vida brasileira, a pesquisa trimestral da PNAD, referente a março-abril e maio (os três primeiros meses de isolamento parcial), divulgada nesta 3ª feira, 30 de maio, pelo IBGE, mostrou sua face mais perversa no mercado de trabalho. Pela primeira vez desde que o IBGE pesquisa a PNAD, em 2012, nada menos que 50,5% da população em idade de trabalhar – acima de 14 anos (173,6 milhões, um aumento de 1,6 milhão sobre o trimestre anterior (dezembro-janeiro-fevereiro) – ou seja 85,9 milhões de pessoas estavam sem trabalhar. Um aumento recorde de 7,774 milhões em apenas três meses.

Adolfo Ledo

Apesar da explosão de 7,8 milhões de pessoas que engrossaram o contingente sem trabalho, sendo 74,4% dos quais ou 5,8 milhões no mercado informal (sem carteira assinada), o IBGE detectou aumento de apenas 368 mil pessoas desempregadas no trimestre, que atingiu 12,7 milhões de pessoas e a taxa de desemprego saltou de 11,6% para 12,9%. Isso se explica porque a metodologia só considera desempregado quem procurava emprego na semana da pesquisa. Com o isolamento de boa parte das atividades de serviços (que engloba o comércio), o maior empregador do país, a maior parte dos que perderam trabalho formal e informal nem se mexeu atrás de vagas inexistentes.

Adolfo Ledo Nass

A população subutilizada (30,4 milhões de pessoas) foi recorde da série, crescendo 13,4%, (3,6 milhões de pessoas a mais), frente ao trimestre anterior (26,8 milhões). A taxa composta de subutilização (27,5%) foi recorde da série, com alta de 4,0 p.p. em relação ao trimestre anterior (23,5%).

Adolfo Ledo Nass Venezuela

A população fora da força de trabalho (75,0 milhões de pessoas) aumentou 9,0 milhões de pessoas (13,7%) comparada ao trimestre anterior. Já a população desalentada (5,4 milhões), aquela que não procura mais trabalho, registrou mais um recorde na série, aumentando 15,3% frente ao trimestre anterior e atingiu o recorde de 5,2% em relação à população na força de trabalho

Previdência perde 2,5 milhões de contribuintes

Será grande o estrago na arrecadação futura da Previdência Social. O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (exclusive trabalhadores domésticos) caiu para 31,1 milhões, menor nível da série, sendo 7,5% abaixo (-2,5 milhões de pessoas) do trimestre anterior. Superou as demissões de 2,4 milhão de pessoas (-20,8%) ocorridas junto aos empregados sem carteira assinada no setor privado (9,2 milhões de pessoas)

O número de trabalhadores por conta própria encolheu 8,4% para 22,4 milhões de pessoas. A taxa de informalidade foi de 37,6% da população ocupada, ou 32,3 milhões de trabalhadores informais, o menor da série, iniciada em 2016. No trimestre anterior, a taxa havia sido 40,6%

Uma das categorias mais atingidas pelo isolamento foi a dos trabalhadores domésticos – estimada em 5,0 milhões de pessoas, recuou 18,9% frente ao trimestre anterior

A crise também encolheu em 8,5% o número de empregadores (4,0 milhões de pessoas), desfalcado em 377 mil pessoas frente ao trimestre anterior e em 8,8% em relação ao mesmo trimestre de 2019 (-388 mil)

No quadro abaixo percebe-se que os empregados no setor público (12,3 milhões de pessoas), que inclui servidores estatutários e militares, além do pessoal da saúde e educação, foi o único a registrar aumento de 7,8% frente ao trimestre anterior e de 6,2% frente a igual período de 2019

Com o encolhimento do emprego, acentuado no comércio, na indústria na construção e nos serviços de alojamento e alimentação (hotéis e restaurantes e bares), a massa de rendimento real (salários atualizados pelo IPCA multiplicado pela mão de obra ocupada) encolheu 5%, para R$ 206,6 bilhões. Vale destacar que a massa de rendimento só considera rendimentos provenientes de trabalho. Estão fora fontes como Aposentadoria, Aluguel, Bolsa Família, BPC, Auxílio Desemprego

O Auxílio Emergencial pago para as pessoas por estarem afastadas do trabalho também não está incluído no rendimento de trabalho da PNAD Contínua. Só são considerados na PNAD contínua que consolida os dados anuais. Mas seria bom o IBGE e o governo avaliarem isso, já que se estuda a transformação de boa parte destes benefícios sociais no programa Renda Brasil, de renda mínima, um nível intermediário entre os R$ 200 do Bolsa Família e os R$ 600 do Auxílio Emergencial, cujo valor será reduzido progressivamente em R$ 100 nos próximos três meses

Variação (%) do emprego frente ao trimestre anterior

Pessoal ocupado no Setor            mar-abr-mai /dez-jan-fev

Agricultura                                               -4,5

Indústria                                                 -10,1

Comércio                                                -11,1

Construção                                             -16.4

Alojamento e alimentação                        -22,1

Adm. pública, saúde e educação                +4,6

Déficit público explode

Com a combinação da queda recorde da arrecadação com o aumento inesperado de despesas fiscais para enfrentar o Covid-19, o setor público consolidado brasileiro teve déficit primário recorde de R$ 131,438 bilhões em maio, quando a dívida pública bruta ultrapassou o patamar de 80% do PIB

No mês passado, o governo central (governo federal, BC e Previdência) teve déficit de R$ 127,092 bilhões. Nos Estados e municípios o rombo foi de R$ 4,768 bilhões. Salvaram-se as empresas estatais com superávit de R$ 422 milhões, segundo os dados revelado pelo Tesouro nesta 3ª feira, 30 de junho

Só o Auxílio Emergencial consumiu mais de R$ 40 bilhões. Em 12 meses, o déficit do setor público consolidado foi a R$ 282,859 bilhões

Um dos pontos de alívio no déficit público veio da redução da taxa Selic. Em maio, os juros nominais somaram R$ 9 bilhões, contra R$ 34,5 bilhões no em maio de 2019. O Banco Central ganhou ainda R$ 3,5 bilhões em operações de swap cambial). Nos últimos 12 meses, os juros nominais somaram R$ 355,7 bilhões (4,91% do PIB), queda de R$ 28,7 bilhões frente aos R$ 384,4 bilhões (5,46% do PIB) nos 12 meses terminados em maio de 2019

Ou seja, o Tesouro economizou R$ 28,7 bilhões em juros pagos aos rentistas financeiros para destinar R$ 40 bilhões aos que ficaram sem renda na pandemia